quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Felicidade no Iporanga









"É tão bom ver essa gente!
Muito obrigado pelo carinho!"


Fotos feitas no Jardim Iporanga / Periferia na zona sul de São Paulo/SP - novembro de 2009


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Maluco Povo Beleza



Outro dia saí para fazer umas fotos pelas ruas de São Paulo, mais precisamente próximo ao Santuário do Terço Bizantino e "achei" essa ilustre figura, seu nome é Michel Pedro dos Reis mais conhecido como Raul Seixas, tem 42 anos, nascido em Juazeiro da Bahia, já foi ator de pequenos teatros, locutor, entre outras profissões e hoje trabalha na coleta seletiva de lixos recicláveis. Fanático por Raul Seixas expõe em seu carrinho de coleta, fotos, textos e até a cópia do atestado de óbito de Raul.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Retrato do alcoolismo




Certo dia vindo pro trabalho ao cruzar a praça Gentil Falcão , localizada no Brooklyn, avistei uma barraca de acampamento de cor azul do outro lado e curioso fiquei me perguntando?
-O que será aquilo?Algum protesto?Greve de fome?Mais um sem teto?
Como eu estava com minha câmera, resolvi chegar mais perto pra fazer algumas fotos, sei lá talvez sugerir alguma pauta, ao me aproximar, vi que era um senhor e que estava muito calmo lendo um jornal e pensei.
-Vou me aproximar e perguntar se está tudo bem, quem sabe talvez conversar um pouco com ele.
- Como vai o senhor?
-Ele, compenetrado lendo o jornal levantou a cabeça vagarosamente, olhou no fundo dos meus olhos e respondeu da mesma forma que me olhou.
-Vou bem!
E dessa mesma forma que me olhou e respondeu, abaixou a cabeça e voltou a ler o jornal.
Fiquei observando, e como ele, calmamente perguntei?
-Qual é o seu nome?
-Marcelo, Antônio Marcelo!Respondeu com voz firme.
-O senhor mora sozinho nessa barraca?
Com um sorriso de lado me disse:
-Não, mora eu e mais dois!
-Como assim?Perguntei meio assustado.
-Mora eu, Jesus e Deus!
Fiquei um tempo parado, refletindo, logo em seguida sorri. Daí pra frente vi que ele tinha ficado mais a vontade e a conversa engrenou, fiquei uma meia hora de papo com aquele sujeito que era muito interessante e que tinha muita história pra contar. Foi o suficiente pra saber que é uma pessoa que apesar de viver naquela situação não deixou de ser educado, tem 42 anos, nascido no Brás, já morou em alguns lugares de São Paulo e inclusive em um dos apartamentos no conjunto de prédios em frente a praça e que está a 25 anos morando nas ruas da região, 21 só na Gentil Falcão, ao perguntar o motivo de estar tanto tempo nas ruas me respondeu com um ar triste e amargurado porém certo do que vinha "atrasando" literalmente sua vida :
-O álcool, estou na rua porque sou álcoolatra,unicamente por isso!
Ficamos em silêncio, até tentei mas percebi que ele não queria tocar mais no assunto.
Por fim, nos despedimos, prometi que passaria ali depois pra levar algumas coisas, observei que ele ficou muito feliz por eu ter lhe dado um pouco de atenção, e assim foi o começo de mais um dia.

"Todo dia vemos pessoas nas ruas, levantamos os vidros de nossos carros, fazemos de nossas casas fortalezas bem protegidas, tudo bem!Sei que a violência está em todo lugar, porém esquecemos que o problema está na nossa cara, e que fingimos não ver, se pararmos pra conversar com alguém que mora nas ruas ou que trabalha nela como um simples vendedor de balas, um engraxate, etc.Você verá que cada um tem uma história de vida pra contar, seja por uso de drogas, o próprio álcool, ou que vem de outro estado pra tentar uma vida melhor e não consegue, ou por falta de opção mesmo, o que muitos deles querem é algo em comum, apenas um pouco de atenção."

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Povo Sertão













"É impossivel andar por esse imenso e lindo sertão sem lembrar de Graciliano Ramos ou Euclides da Cunha , ilustres escritores que descreviam com muita magia esse maravilhoso mundo perdido no tempo"

Fotos feitas no sertão de Alagoas / final de 2006

Da Terra vem a cor
























Fotos que fazem parte da exposição "Da Terra vem a cor", realizada na Aliança Francesa e Estação Vila Madalena (abril e maio de 2007) e Espaço Consigo de Fotografia (fevereiro e março de 2008).

Exposição “Da Terra vem a cor” mostra a viagem de João Carlos Silva rumo ao nordeste.

Desde 1995 que o fotógrafo paulista João Carlos Silva segue uma tradição: no fim do ano, viaja com a família para Alagoas de automóvel. Na primeira vez, rodaram dentro de uma Brasília ano 76, totalizando 45 mil quilômetros percorridos por rodovias como BR 101,BR 116,BR 316,Fernão Dias entre outras. A cada nova viagem, mais paisagens, histórias engraçadas, outras nem tanto, pessoas diferentes, contrastes culturais. Tudo concorre para enriquecer o baú de experiências e recordações familiar, além do acervo fotográfico de João Carlos.
Por outro lado, existem os obstáculos. Por motivos financeiros, o fotógrafo teve que se desfazer do seu equipamento em 2005, sobrando apenas uma Nikon F4 e uma lente fixa 24mm de foco manual, emprestada de seu amigo, o artista plástico Cipriano Souza. Ao mesmo tempo, ele impôs um desafio: fotografar pela primeira vez em cor e usar somente filmes ISO 100: “Pra mim foi um pouco difícil, pois, ao fotometrar, imaginava tudo em preto-e-branco”, relata João Carlos, que resolveu experimentar a nova linguagem na última viagem, empreendida no final de 2006.
Daí surge o título de sua nova exposição fotográfica.Em "Da Terra vem a cor", o fotógrafo resolveu explorar o cotidiano do povo nordestino, em feiras livres, centros e até mesmo cemitérios, mostrando desde a luta pela sobrevivência ao luto propriamente dito, o qual também faz parte desse povo que nunca desiste de dias melhores: “Somos meros seres humanos nesse país sem fronteiras, onde a cultura é muito vasta, linda e imensamente rica”, filosofa João Carlos.

Texto do jornalista Alcides Mafra